O governo do Rio Grande do Sul e a Edge Comercialização S.A., empresa do grupo Compass, assinaram em 25 de setembro de 2026 um memorando de entendimento e um protocolo de intenções para estudar a implantação de uma nova solução de abastecimento de gás natural em Rio Grande, no sul do estado. O projeto tem investimento potencial de até R$ 1 bilhão e está associado à infraestrutura portuária do município.
A iniciativa poderá resultar na implantação e operação de um Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) ou de estruturas alternativas para importação, armazenamento, logística e regaseificação do combustível. A área prevista fica no Distrito Industrial de Rio Grande, em uma localização considerada estratégica pela proximidade com o complexo portuário.
Projeto ainda está em fase preliminar
Apesar do valor estimado e da assinatura dos documentos, o empreendimento ainda não é uma obra em execução. Conforme informado pela Prefeitura Municipal do Rio Grande, a realização do projeto dependerá de licenciamento ambiental e de outras autorizações necessárias.
O memorando de entendimento e o protocolo de intenções estabelecem as bases para o desenvolvimento da proposta, mas não representam, por si só, a conclusão dos estudos ou a confirmação definitiva da implantação. A documentação disponível também não informa a capacidade prevista do terminal, o cronograma de obras ou a data estimada para o início das operações.
A assinatura ocorreu na sede da Portos RS, em Rio Grande. O compromisso também foi registrado na agenda do secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul, que relaciona o memorando e o protocolo firmados entre o governo estadual e a Edge Comercialização.
Integração com a infraestrutura portuária
O terminal projetado está ligado a uma cadeia logística que combina transporte marítimo e distribuição terrestre de gás natural. Em uma eventual operação, o GNL seria recebido por via marítima e encaminhado às estruturas de armazenamento e regaseificação previstas no empreendimento. Depois dessa etapa, o gás poderia ser direcionado aos consumidores por diferentes modais, conforme a solução definida nos estudos.
Essa conexão com o complexo portuário é um dos principais aspectos logísticos da proposta. Rio Grande concentra uma infraestrutura portuária relevante para a movimentação de cargas e está localizado no extremo sul do Rio Grande do Sul, posição que pode favorecer a integração entre a chegada do combustível, as instalações industriais e o abastecimento do mercado estadual.
O projeto, no entanto, ainda não apresenta informações públicas sobre o modelo operacional que será adotado. A alternativa poderá ser um terminal de regaseificação de GNL ou outra configuração voltada à importação, ao armazenamento e à logística do gás natural. A definição dependerá da evolução dos estudos, das autorizações e do processo de licenciamento.
Possíveis efeitos para o abastecimento de gás
De acordo com a Prefeitura de Rio Grande, a iniciativa tem potencial para ampliar a oferta energética no Rio Grande do Sul e apoiar a atração de novos empreendimentos industriais. A expectativa está relacionada à criação de uma solução integrada de fornecimento de gás natural para o estado, utilizando a localização de Rio Grande e sua proximidade com o complexo portuário.
O investimento anunciado como possibilidade é de até R$ 1 bilhão, mas o valor não deve ser interpretado como desembolso já realizado ou definitivamente contratado. O montante está associado ao desenvolvimento do projeto e poderá ser ajustado conforme a configuração escolhida, os estudos técnicos e as exigências dos processos de autorização.
Para o setor de transporte marítimo e logística, o empreendimento representa uma proposta de infraestrutura voltada à movimentação de um insumo energético por meio de uma instalação portuária. A confirmação de sua implantação, porém, dependerá da superação das etapas ambientais, regulatórias e técnicas ainda pendentes.
Até o momento, os documentos divulgados confirmam a intenção de desenvolver a solução, mas não detalham capacidade, prazo, empresa responsável pela operação final ou calendário de licenciamento. Por isso, o terminal de GNL em Rio Grande deve ser tratado como um projeto em fase de estruturação, e não como uma instalação já construída ou em funcionamento.
