De acordo com Yuri Silva Portela, a humanização no cuidado à saúde não tem idade preferencial. Ela é necessária e transformadora em todas as fases da vida, mas é nas extremidades do ciclo vital, na infância e na velhice, que seu impacto se torna mais evidente e mais urgente. Crianças e idosos compartilham uma vulnerabilidade que exige dos profissionais de saúde uma postura de escuta, paciência e adaptação que vai muito além dos protocolos clínicos.
O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, compreende essa conexão de forma profunda, e o projeto que lidera atende comunidades onde essas duas gerações frequentemente convivem sob o mesmo teto e compartilham as mesmas vulnerabilidades. A partir deste artigo, você vai entender como o cuidado humanizado conecta gerações, por que o encontro entre crianças e idosos é terapêutico para ambos e como o Humaniza Sertão atua nessa interface de forma transformadora. Acompanhe!
O que crianças e idosos têm em comum em termos de saúde?
À primeira vista, crianças e idosos parecem ocupar extremos opostos do espectro de vida, pois ambos têm organismos que respondem de forma diferente aos adultos, que precisam de comunicação adaptada. Entretanto, compartilham vulnerabilidades que os tornam igualmente dependentes de um cuidado que seja atento, paciente e adaptado às suas especificidades.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, a presença de crianças e idosos nas mesmas comunidades atendidas pelo Humaniza Sertão revela dinâmicas familiares e sociais que precisam ser consideradas no planejamento do cuidado. Em muitas famílias do sertão, avós e netos vivem sob o mesmo teto e se cuidam mutuamente. O idoso que cuida do neto enquanto os filhos trabalham e o neto que acompanha o avô ao médico são expressões de uma interdependência que é ao mesmo tempo uma fonte de sentido e uma potencial fonte de sobrecarga para ambos.
Como o encontro entre gerações beneficia a saúde do idoso?
A convivência intergeracional tem efeitos comprovados sobre a saúde mental e física do idoso. O contato regular com crianças e jovens estimula a cognição, combate o isolamento, aumenta a sensação de propósito e rejuvenesce em sentidos que vão além do metafórico. Idosos que mantêm relações próximas com as gerações mais jovens apresentam maior engajamento com a vida, melhor humor e menor incidência de depressão.
O cuidado de netos, quando realizado em equilíbrio saudável, é uma fonte de significado que muitos idosos identificam como um dos elementos mais importantes de sua qualidade de vida. Esse senso de ser necessário e de ter um papel ativo na família e na comunidade é um fator protetor poderoso contra o declínio emocional e cognitivo. A medicina geriátrica, que reconhece e valoriza esse papel social do idoso, oferece um cuidado mais completo e mais alinhado com o que realmente importa para o paciente.

Por que o neuropsicopedagogo importa tanto nesse contexto?
O neuropsicopedagogo, com sua formação voltada para os processos de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo, é capaz de identificar tanto dificuldades de aprendizagem em crianças quanto sinais de declínio cognitivo em idosos, contribuindo para um cuidado que abrange toda a família. Portanto, Yuri Silva Portela nota que a presença de neuropsicopedagogos na equipe do Humaniza Sertão é especialmente significativa quando se considera a interface entre as gerações mais jovens e os idosos nas comunidades atendidas.
Nas comunidades do sertão, crianças com dificuldades de aprendizagem frequentemente passam anos sem diagnóstico adequado, sendo tratadas como preguiçosas ou desinteressadas, quando na verdade têm necessidades específicas que poderiam ser atendidas com o suporte correto. Da mesma forma, idosos com comprometimento cognitivo leve frequentemente não são identificados porque suas dificuldades são atribuídas ao envelhecimento normal. O neuropsicopedagogo contribui para corrigir esses equívocos em ambas as extremidades do ciclo de vida.
Saúde como herança: o que os idosos ensinam sobre cuidar
Os idosos são portadores de uma sabedoria sobre saúde e sobre a vida que as gerações mais jovens precisam aprender a valorizar. Eles carregam conhecimentos sobre plantas medicinais, sobre práticas alimentares tradicionais, sobre formas de lidar com adversidade e sobre a importância das relações humanas, que têm valor real e que complementam o conhecimento científico da medicina moderna. Uma geriatria verdadeiramente humanizada reconhece e respeita esse saber acumulado.
Yuri Silva Portela esclarece que o diálogo intergeracional sobre saúde é uma via de mão dupla que enriquece todos os envolvidos quando acontece em um ambiente de respeito mútuo. Isto,é, os idosos têm muito a aprender com as gerações mais jovens sobre novas possibilidades de cuidado, sobre tecnologias de saúde e sobre formas de acessar recursos que podem melhorar sua qualidade de vida.
O cuidado que conecta gerações transforma o futuro
O cuidado que conecta gerações é um dos investimentos mais poderosos que uma sociedade pode fazer em sua própria saúde e coesão. À medida que crianças crescem vendo idosos sendo tratados com respeito e dignidade, quando idosos se sentem parte ativa e valorizada da comunidade, e quando profissionais de saúde trabalham com consciência dessas conexões, o resultado é uma cultura de cuidado que se perpetua e que se fortalece ao longo do tempo.
O Humaniza Sertão, sob a liderança do doutor Yuri Silva Portela, pratica essa visão de forma concreta e consistente. Em três anos de atuação, o projeto demonstrou que o cuidado humanizado e intergeracional é possível, é eficaz e é transformador, mesmo nos contextos mais desafiadores.
Valorize o idoso na sua vida e cuide do ambiente em que ele envelhece. O legado que você constrói ao lado dele é um presente que as gerações futuras vão herdar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
