A implantação do Terminal Rio Grande do Sul S.A., um Terminal de Uso Privado (TUP) voltado à movimentação de celulose, avançou no Rio Grande do Sul. Em 11 de setembro de 2026, foi assinado o contrato de cessão da área destinada ao empreendimento entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e a empresa responsável pelo projeto.
O terminal será instalado no Porto do Rio Grande e faz parte do Projeto Natureza, da CMPC. A iniciativa inclui a construção de uma nova unidade industrial de celulose em Barra do Ribeiro e uma estrutura logística conectada ao sistema hidroviário gaúcho. A proposta é receber cargas transportadas por barcaças e transferi-las para navios destinados à exportação.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o empreendimento prevê investimento aproximado de R$ 1,5 bilhão na infraestrutura portuária. O projeto contempla dois berços para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose.
Terminal combinará navegação interior e transporte marítimo
A configuração planejada conecta diferentes etapas da cadeia logística. A celulose produzida no Rio Grande do Sul poderá ser deslocada por hidrovias até o terminal, onde será armazenada e posteriormente embarcada em navios para o mercado externo. Com isso, o projeto busca integrar a navegação interior ao transporte marítimo de longo curso.
A capacidade inicialmente divulgada para o escoamento de celulose é de aproximadamente 5 milhões de toneladas por ano. Essa projeção dá a dimensão da estrutura prevista e do papel que o TUP poderá desempenhar na movimentação de grandes volumes pelo Porto do Rio Grande, especialmente em uma cadeia de exportação que depende de armazenagem e conexão eficiente entre modais.
Documentos e divulgações oficiais também apresentam uma projeção de movimentação de até 9 milhões de toneladas anuais a partir do 11º ano de operação. O número está associado a uma perspectiva de expansão do empreendimento e não deve ser confundido com a capacidade inicial de 5 milhões de toneladas por ano destacada para a celulose.
Projeto avançou em etapas ao longo de 2026
A cessão da área representa uma nova fase no processo de implantação. Em janeiro de 2026, o terminal já havia obtido contrato de adesão para exploração como TUP. Na ocasião, o Ministério de Portos e Aeroportos informou as projeções de investimentos relacionadas à celulose e à logística de exportação no complexo portuário.
Em 18 de junho, o empreendimento recebeu a licença ambiental prévia para avançar no processo de implantação. A informação foi divulgada pela Prefeitura de Rio Grande, que também registrou a previsão de investimento direto no terminal. Já em 14 de setembro, a CMPC divulgou informações complementares sobre a assinatura do contrato de cessão.
Infraestrutura amplia o papel logístico do Porto do Rio Grande
O avanço do Terminal Rio Grande do Sul S.A. reforça a importância do Porto do Rio Grande para a logística do Sul do país. Além de oferecer acesso ao transporte marítimo, o complexo poderá operar como ponto de conexão entre a produção industrial, as hidrovias gaúchas, a armazenagem e os navios responsáveis pelo transporte internacional.
Para a cadeia de celulose, a disponibilidade de berços específicos e de uma área de armazenamento de grande porte é relevante porque permite organizar o fluxo entre a chegada da carga por barcaças e o embarque para exportação. A operação combinada também evidencia como terminais portuários podem estruturar corredores logísticos voltados ao transporte de grandes volumes.
Com a cessão da área, o projeto passa a contar com uma etapa contratual necessária para a instalação física do terminal. As próximas fases dependerão da continuidade da implantação, do cumprimento das exigências ambientais e do desenvolvimento da infraestrutura prevista. Até aqui, o empreendimento reúne autorização para exploração, licença ambiental prévia e planejamento para integrar navegação interior e transporte marítimo no escoamento de celulose.
