Especialista em formação e coordenação de equipes em contextos críticos, Ernesto Kenji Igarashi analisa como a cultura de segurança, baseada em regras claras e rotinas consolidadas, reduz falhas e fortalece a governança institucional.
Em ambientes operacionais de alta complexidade, a ocorrência de incidentes raramente é resultado de um único erro isolado, apresenta Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional e proteção de autoridades. Na maioria dos casos, ela decorre da combinação de falhas humanas, lacunas de procedimento e fragilidades organizacionais. Por esse motivo, a prevenção de eventos críticos depende menos de ações pontuais e mais da construção de uma cultura de segurança consistente e permanente.
Essa cultura se manifesta no cumprimento sistemático de regras, na repetição de rotinas e na valorização de comportamentos seguros. Com isso entende-se que, a segurança institucional é resultado direto de processos cotidianos, e não apenas de decisões tomadas em situações de emergência.
Cultura organizacional e comportamento seguro
A cultura organizacional influencia diretamente a forma como os profissionais percebem riscos e tomam decisões. Quando regras são vistas como meras formalidades, a tendência é que os procedimentos sejam flexibilizados de maneira informal, aumentando a probabilidade de falhas.
A internalização de comportamentos seguros ocorre quando a organização reforça, de forma consistente, a importância das normas e demonstra, na prática, que elas são parte integrante do trabalho. Isso inclui desde treinamentos regulares até a postura de lideranças no cumprimento de protocolos.
Nesse contexto, como expressa Ernesto Kenji Igarashi, a segurança deixa de ser responsabilidade exclusiva de setores especializados e passa a ser um valor compartilhado por toda a instituição, refletindo-se em pequenas decisões do cotidiano que, somadas, reduzem riscos estruturais.
Regras claras como base de previsibilidade
A previsibilidade é um dos principais objetivos de sistemas de segurança bem estruturados, isso porque, como explica Ernesto Kenji Igarashi, em operações sensíveis, saber como cada membro da equipe deve agir em determinadas circunstâncias facilita a coordenação e reduz o tempo de resposta a eventos inesperados.
Regras claras e amplamente divulgadas criam um referencial comum que orienta a atuação dos profissionais, mesmo quando a comunicação direta é limitada. Isso é particularmente relevante em situações que exigem decisões rápidas e alto grau de sincronização entre equipes.
Para além desses fatores, a clareza normativa facilita processos de treinamento, avaliação e supervisão, permitindo que desvios sejam identificados com maior objetividade e corrigidos antes que se transformem em problemas maiores.
Rotinas como instrumento de prevenção
A repetição de rotinas operacionais é frequentemente associada à eficiência, mas seu impacto na segurança é igualmente significativo. Procedimentos padronizados, quando praticados de forma consistente, reduzem a dependência de improvisação e diminuem a margem para erros individuais.
Na avaliação do especialista em segurança institucional, Ernesto Kenji Igarashi, rotinas bem definidas funcionam como barreiras preventivas, criando múltiplas camadas de proteção contra falhas. Mesmo que um elemento do sistema não funcione como esperado, outros mecanismos podem impedir que o erro evolua para um incidente grave.

Esse conceito, amplamente utilizado em áreas como segurança do trabalho e aviação, tem sido progressivamente incorporado às políticas de segurança institucional, reforçando a ideia de que a prevenção é construída no dia a dia.
Liderança e reforço de comportamentos seguros
A atuação das lideranças é determinante para consolidar uma cultura de segurança, ressalta Ernesto Kenji Igarashi, visto que, os gestores e coordenadores influenciam diretamente a percepção de prioridade atribuída às normas e procedimentos, tanto por meio de discursos quanto de atitudes práticas.
Nesse sentido, líderes que respeitam protocolos, participam de treinamentos e cobram cumprimento de rotinas transmitem uma mensagem clara sobre a importância da segurança. Em contrapartida, quando há tolerância a desvios, cria-se um ambiente em que regras tendem a ser relativizadas.
Esse efeito multiplicador da liderança é um dos fatores que explicam por que mudanças culturais exigem comprometimento em todos os níveis hierárquicos, e não apenas ajustes técnicos em manuais e regulamentos.
Incidentes como fonte de aprendizado institucional
Apesar dos esforços preventivos, incidentes ainda podem ocorrer. A forma como a organização reage a esses eventos é parte essencial da cultura de segurança. Abordagens focadas apenas em punição tendem a inibir a comunicação de falhas e dificultar a identificação de causas estruturais.
Sistemas maduros de segurança utilizam ocorrências como oportunidades de aprendizado institucional, revisando procedimentos, ajustando treinamentos e aprimorando mecanismos de controle. Esse processo contribui para reduzir a probabilidade de repetição de erros e fortalece a resiliência organizacional.
A análise sistemática de incidentes também alimenta o planejamento estratégico, permitindo que a gestão de riscos seja continuamente atualizada com base em evidências reais.
Cultura de segurança como política de Estado
A consolidação de uma cultura de segurança baseada em regras, rotinas e aprendizado contínuo ultrapassa a dimensão operacional e se conecta à própria qualidade das políticas públicas. Instituições que operam com previsibilidade e controle tendem a oferecer serviços mais estáveis e confiáveis à sociedade.
Segundo o especialista em segurança institucional, Ernesto Kenji Igarashi, investir em cultura organizacional é tão importante quanto investir em equipamentos ou infraestrutura. Sem práticas consistentes, recursos materiais não são suficientes para garantir segurança em ambientes de alto risco.
Com isso se compreende que a prevenção de incidentes passa a ser entendida como resultado de uma estratégia institucional de longo prazo, sustentada por formação contínua, liderança comprometida e governança estruturada.
Autor: Sérgio Gusmão
