O terminal de contêineres da APM Terminals no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, iniciou as operações comerciais em 2 de setembro de 2026. A primeira escala foi realizada pelo navio Maersk Ganges, em uma operação que incluiu o novo terminal na rede brasileira de transporte marítimo de cargas.
A entrada em funcionamento ocorreu no serviço de cabotagem ALCT2, que conecta os portos de Pecém, no Ceará; Salvador, na Bahia; Santos, em São Paulo; Itapoá, em Santa Catarina; Rio Grande e Imbituba, em Santa Catarina. Com a inclusão de Suape, a rota passa a ampliar a ligação costeira entre diferentes regiões do país.
De acordo com a APM Terminals, o serviço terá duas escalas semanais no novo terminal. A frequência cria uma alternativa regular para o deslocamento de contêineres entre o Nordeste, o Sudeste e o Sul, com potencial para apoiar cadeias de distribuição que dependem de conexões entre essas regiões.
Suape amplia capacidade para movimentação de contêineres
O empreendimento recebeu investimentos superiores a R$ 2 bilhões, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. A capacidade inicial prevista é de até 400 mil TEUs por ano, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.
Com a nova estrutura, o Complexo Industrial Portuário de Suape deverá elevar em aproximadamente 55% sua capacidade de movimentação de contêineres. O aumento reforça a posição do porto pernambucano como ponto de conexão para cargas destinadas ao mercado nordestino e para fluxos que seguem a outras áreas do Brasil.
A localização em Pernambuco também amplia as opções logísticas para importadores, exportadores e operadores que buscam combinar transporte marítimo com deslocamentos rodoviários e outros modais. A cabotagem pode funcionar como alternativa para parte das rotas terrestres de longa distância, especialmente em operações que exigem conexões regulares entre portos nacionais.
Terminal combina eletrificação e operação remota
A instalação é apresentada pelas fontes oficiais e pela empresa como o primeiro terminal de contêineres totalmente eletrificado da América Latina. A proposta inclui equipamentos eletrificados para as operações de cais e de pátio, além de sistemas voltados à operação remota.
Segundo a APM Terminals, a configuração foi planejada para incorporar automação e uso de equipamentos elétricos à movimentação de contêineres. A combinação entre infraestrutura de maior capacidade e recursos tecnológicos coloca Suape no debate sobre modernização, eficiência operacional e transição energética no setor portuário.
A eletrificação dos equipamentos não altera apenas o perfil tecnológico do terminal. Ela também integra uma estratégia de redução do uso de fontes fósseis nas atividades portuárias, embora os resultados ambientais efetivos dependam da operação da instalação e da matriz energética utilizada. Nesse contexto, o terminal associa expansão logística a uma proposta de menor dependência de equipamentos movidos a combustíveis convencionais.
Da entrega da infraestrutura à operação comercial
O terminal foi entregue oficialmente em junho de 2026, antes do início da primeira operação comercial. A sequência marca a passagem entre a conclusão da infraestrutura e sua integração efetiva à rede de navegação costeira brasileira.
Com a chegada do Maersk Ganges e a entrada do serviço ALCT2, Suape passa a contar com uma nova alternativa para a movimentação regular de contêineres. A expectativa operacional está relacionada tanto ao aumento da capacidade local quanto à ampliação das conexões com portos de outras regiões.
O início das atividades representa, portanto, um movimento relevante para a logística marítima do Nordeste. A evolução do terminal dependerá da utilização de sua capacidade, da regularidade das escalas e da integração com os demais elos da cadeia de transporte, mas a primeira operação já estabelece uma nova conexão de cabotagem a partir de Pernambuco.
